Juros, crédito e jornada: a agenda da construção civil para o próximo governo

15/10/2026
Referências
Juros, crédito e jornada: a agenda da construção civil para o próximo governo

Com a campanha do segundo turno da eleição presidencial em andamento, a construção civil, setor que responde por cerca de 6% do PIB e depende fortemente de crédito de longo prazo, apresenta sua lista de prioridades para o próximo governo.

O cenário atual

Mesmo com juros elevados, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 1,2% para o setor em 2026, após 0,5% em 2025, puxado por obras de infraestrutura e pelo Minha Casa, Minha Vida. No segundo trimestre, as vendas subiram 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O setor emprega mais de 3 milhões de pessoas e tem o maior salário médio de admissão do país (R$ 2.631,65).

Os desafios, porém, são grandes: juros altos, famílias endividadas e custos em alta. Em 12 meses até julho, os custos da construção subiram 6,44%, contra 4,44% da inflação oficial, com destaque para fio de cobre (+21,35%), portas internas (+16,06%), bancadas de pia (+15,87%) e tubos de PVC (+14,35%).

Juros menores no topo da lista

Para a CBIC, a prioridade é o equilíbrio fiscal, condição para reduzir os juros, além de reformas estruturais como a administrativa. As dificuldades se concentram nos segmentos de média e alta renda, mais dependentes do crédito privado. Economistas do setor lembram que juros acima de dois dígitos por longo período afetam tanto quem compra imóvel quanto o construtor, que precisa de capital de giro.

O SindusCon-SP defende uma agenda de redução de custos e aumento de produtividade, com menos burocracia na aprovação de projetos, um Código de Obras Nacional de referência e mais acesso a financiamento.

Jornada 6x1

A possível redução da jornada semanal de 44 para 40 horas preocupa o setor. Pelos cálculos da CBIC, isso representaria 208 horas a menos por trabalhador ao ano e exigiria mais de 288 mil contratações. Sem ganhos de produtividade, o custo da mão de obra poderia subir até 15%, com impacto de pelo menos 6% no custo total das obras. A entidade defende que o debate venha acompanhado de qualificação profissional e industrialização.

Mais crédito habitacional

A CBIC propôs ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central ampliar de 80% para 90% o direcionamento dos recursos da poupança ao financiamento residencial, o que poderia liberar cerca de R$ 75 bilhões, com juros de até 12% ao ano para imóveis de até R$ 2,25 milhões. A agenda inclui ainda formação de mão de obra, construção sustentável e ajustes trabalhistas.

Reforma tributária

O setor pede que a regulamentação considere suas especificidades e garanta tempo suficiente para adaptação das empresas, criticando o atraso na disponibilização das ferramentas para operar as novas regras. Também defende a revisão de contratos de obras públicas afetados pelo aumento de custos.

Conteúdo adaptado pela equipe OGFI GOVE.

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