Terminais de metrô Vila Madalena, Vila Mariana e Belém vão ganhar empreendimentos imobiliários
O Metrô de São Paulo definiu a Brio Investimentos como proponente preferencial para desenvolver empreendimentos imobiliários sobre os terminais integrados às estações Vila Madalena (Linha 2-Verde), Vila Mariana (Linha 1-Azul) e Belém (Linha 3-Vermelha, Terminal Norte). Juntos, os três pontos recebem mais de 207 mil passageiros por dia útil.
Como vai funcionar
A empresa poderá explorar o espaço aéreo das estações, ou seja, construir sobre elas sem interferir na operação. O edital, publicado em março, não define o tipo de empreendimento: pode ser residencial, shopping center ou outro uso, desde que aprovado pelo Metrô. Até o momento, a Brio não detalhou os projetos.
Caberá à Brio conduzir todo o desenvolvimento: estudos de viabilidade, regularização, estruturação financeira, licenças prévias e contratação de incorporadoras e construtoras. O Metrô entra apenas com os imóveis, sem aporte financeiro. A operação será estruturada por meio de um fundo do qual a companhia será cotista, recebendo dividendos e se beneficiando da valorização dos ativos. O valor a ser arrecadado ainda não foi estimado, pois depende do tipo de empreendimento.
Os números dos terminais
As três áreas somam 17,4 mil m². O terminal Vila Madalena tem 3.784 m² e cerca de 42 mil passageiros por dia útil; o Vila Mariana, 8.276 m² e aproximadamente 105 mil; e o Belém, 5.366 m² e cerca de 60 mil.
As obras não poderão afetar o funcionamento das estações e devem ser concluídas em até cinco anos após o início da construção. Em caso de insucesso, inadimplência grave ou descontinuidade, o Metrô pode liquidar o fundo e retomar os imóveis. Segundo a companhia, a escolha considerou retorno econômico, menor risco, capacidade financeira e experiência do proponente.
Receita além da tarifa
A iniciativa faz parte da estratégia do Metrô de ampliar receitas não tarifárias, intensificada durante a pandemia. Naquele período, a venda de terrenos gerou cerca de R$ 1 bilhão à empresa. Agora, o foco passou a ser a geração de receita recorrente, com participação nas incorporações, além de comércio nas estações, telecom, publicidade e naming rights.
O modelo não é inédito: cinco shoppings já ocupam terrenos cedidos pelo Metrô, como os de Tatuapé, Santa Cruz, Itaquera e Tucuruvi. E há espaço para mais: segundo a companhia, dos 13 terminais urbanos que administra, sete têm potencial construtivo para esse tipo de modelo.
Conteúdo adaptado pela equipe OGFI GOVE.
